sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Vestígios de ti

Esta é a tua rua. Esta é a tua casa. Este é o teu quarto. Esta é a tua cama. Esta é a tua e a minha almofada. Este é o teu cheiro. Estas são as tuas roupas. Este é o teu\meu mundo. Esta sou eu. Esta é a minha falta de ti. Esta é a minha vontade. Este é o meu silêncio. E, conjugando estas duas últimas, confesso que chego à conclusão de que tenho uma vontade calada. Ela está sempre no escuro, sempre escondida atrás do arbustro, a malvada. Está de tal maneira disfarçada que ninguém a vê, nem mesmo tu. Tu que nem sabes que eu estou aqui. Tão dentro que já não posso sair. E só apetece ficar e ficar até te ver chegar uma e outra vez. Mas tu não vens. Nunca vens. E hoje sou só eu. Durmo aqui, assim, sozinha, numa cama que sempre me pareceu pequena demais e que agora está ginorme. E eu nem quero saber se tu te importas ou não que eu esteja no meio de tudo o que é TEU. O que é tão e só teu. Não me vou dar ao trabalho de te pedir autorização para usar e abusar da tua vida, porque a minha vontade pode estar num silêncio obscuro, mas não é parva ao ponto de não aproveitar o tão pouco que Tu lhe dás.


Um dia destes conto-te como vim aqui parar.


@ran,nr14

1 comentário:

Anónimo disse...

Hum...muito bonito o texto. Estás cheia de borboletas na barriga ;)
Eu já escolhi o "meu"...acho que é uma mistura... *